| Feb 08 |
Primeiro passo para um projeto de software falhar: A RFP !!!Alow Brasil !!! E a pergunta de hoje é: O que está acontecendo com os processos de contratação de software, ou RFP (Request for Proposal)? Digo isso, pois tenho contato com dezenas de RFPs por mês e estou ficando assustado com o que tenho visto. Os clientes não estão preocupados em conduzir um processo de contratação que os leve a atingir o seu objetivo com o projeto de software, mas sim em se proteger dos riscos e complicações da contratação e não vêem que essa atitude só gera mais riscos e prejudica o seu negócio, acima de tudo. Antes, um cliente necessitava de um projeto e então abria algumas vagas de “bodyshop” em seu quadro, colocava uns consultores lá e os gerenciava. Com isso, assumia todo o risco pela execução do projeto. Com o tempo, os clientes – principalmente os maiores – viram que a energia gasta neste processo não compensava e que o modelo precisava mudar. Nisso, veio o que muitos consideraram a solução para o problema: O modelo de contratação como Fábrica de Software. Pessoalmente, eu considero esse um dos maiores erros da indústria moderna de serviços de software, mas isso é assunto para outro post. Com este modelo “mágico”, as consultorias assumiriam todo o risco pelos projetos, pois estavam suportados por modelos de qualidade, processos, métricas, certificações, bla bla bla. Bom, já vimos que este modelo não funciona, certo? Basta dar uma olhada no gráfico abaixo que representa resumidamente os últimos Chaos Reports , do grupo Standish, sobre projetos de software nos últimos anos. Não vamos entrar aqui nos “porquês” desses números, também falamos disso numa outra oportunidade O fato mais importante aqui é que o cliente procura por um modelo onde ele não tenha tantos riscos para gerenciar e por isso acaba partindo justamente para o modelo que gera esses números (tristes) aí de cima. No final, temos um perfeito ciclo vicioso que tende não cessar nunca. A partir do momento em que o cliente que quer contratar um serviço de software, passa a tomar algumas dessas ações na RFP, o projeto já está condenado ao fracasso:
Sobre este último item eu gostaria de falar um pouco mais. Chego a ver alguns processos que são baseados em má fé por parte do cliente, buscando esconder informações do fornecedor e induzindo-o a assumir um risco totalmente desnecessário e que no final virará prejuízo, pra TODO MUNDO. Isso geralmente é feito por áreas internas de TI do cliente que não estão nem um pouco preocupadas com o ROI (Return of Investiment) que aquele projeto trará para a empresa e sim em como livrar a cara deles se alguma coisa der errado no projeto. Podemos citar alguns dos pontos que identificam claramente quando uma empresa está agindo de má fé no processo de RFP:
Ok pessoal, poderia dar mais alguns exemplos aqui. Mas acho que esses já são totalmente suficientes e muitos dos que estão lendo este post já viram isso pelo menos uma vez na vida numa RFP, certo? Então fica a pergunta: Qual é a dos caras ? O que eles ganham com isso ? Será que o cliente ainda não vê que o maior prejudicado nisso no final será ele mesmo, que não receberá um produto bom e com qualidade? Outros grandes culpados disso são as consultorias e fornecedores de software que visando o maior lucro e portfólio possíveis entram nesses verdadeiros Titanics e não questionam o cliente do porque o processo está sendo conduzido assim. Depois o projeto afunda, entra para as estatísticas do Gartner e Standish e fica todo mundo chorando, querendo saber o que aconteceu errado.
Isso precisa acabar!!! Enquanto clientes e fornecedores de TI continuarem com esse tipo de relacionamento, a coisa não vai andar. Então, se você está do lado do cliente e está vendo isso:
Se você está do outro lado, o do fornecedor. Tente fazer isso:
Não adianta tentar corrigir somente os processos de software, incrementar a qualidade, tornar o desenvolvedor mais produtivo, se o projeto continua a ser contratado de forma errada!!! Lembre disso: “Um projeto mal contratado já nasce fracassado”. Abs André Nascimento 12 Responses to “Primeiro passo para um projeto de software falhar: A RFP !!!”Leave a Reply |



Olá André!
Concordo com você!
Já trabalhei em alguns clientes que eles não viam o fornecedor como parceiro, e sim como inimigo! Tudo porque sabiam que o projeto não daria certo ou teria váários “efeitos colaterais”, e por isso mantinha o fornecedor lá para poder culpar alguém.
Para se ter uma idéia, já ouvi do cliente a seguinte frase: “Ah, temos que ter um fornecedor aqui dentro pra poder culpar alguém, senão não valeria a pena terceirizar o projeto”.
Dá pra acreditar????
Ótimo post e espero que os clientes leiam e mudam a conduta.
Abs
Grande André, parabéns pela iniciativa do blog! Peecisamos de cada vez mais pessoas gerando e transmitindo conhecimento em nossa área. E, como você sabe, também trato bastante desse assunto de contratações e acho que ele é crítico quando o desenvolvimento de software é realizado numa parceria cliente-fornecedor.
Parabéns no vamente e não esqueça de linkar meu blog
.
Abraços!
Opa rapaz,
Seus artigos e palestras sobre contratos com escopo e metas varíaveis são famosos, acho que já lí todos várias vezes
. Acho que temos que começar a olhar com carinho pra esse ponto inicial da cadeia, pois sem isso não adianta falar de agilidade.
Agradeço a visita, o comentário e seu blog já está “linkado”, eheheh.
Grande abraço.
Excelente! O ponto é este mesmo. Poucas empresas hoje estão preparadas para trabalhar em parceria com fornecedor. As que fazem só estão ganhando e na frente.
Faz algum tempo também escrevi a respeito de contratação e elaboração de propostas ágies. Acho que vale a referência: http://blog.tucaz.net/2009/03/14/pre-venda-negociacao-e-propostas-em-modelo-agil-como-fazer/
Ótima reflexão.
É incrível como, apesar de tanto movimento a favor de melhores práticas e métodos, ainda encontramos diversas empresas com modelos de contratação que não favorecem o sucesso do projeto de software.
Logo de início, exige-se zilhões de entregáveis que devem ser entregues antes que qualquer linha de código tenha sido escrita. Daí, o que vemos no final são pilhas de documentos mortos desatualizados (ou raramente/precáriamente atualizados) e software que não é compatível com o que foi escrito…
De qualquer maneira, um outro ponto que precisamos levantar é: Estariam os fornecedores preparados/receptíveis para contratos ágeis? Sei não…
Abraços e parabéns!
Marcelo Zeferino
Sim, provavelmente por isso e
Boa análise do problema,
Outra falha gritante é não incluir a cláusula de riscos do projeto.